É assim que tudo termina? Tu já sabias, admita!
Por mais que tu não demonstres... Sua consciência é aguçada... é?!
E sim... finja ser forte, todos no final esperam isso
Você sabe que seus ombros poderiam ficar mais leves?
Mas insistes na complexidade, insistes no que não conheces?
Tu querias descobrir os mais adoráveis e terríveis gostos que tem o incerto?
Pois é, agora o prove. Já tens todos os ingredientes?
Não. Ainda faltam mais, porque você não chora...
Tu sabes, as lágrimas não ultrapassam as bolsas que tens nos olhos
Também... são tantas noites sem dormir, elas tem bastante espaço para comportá-las.
Será isso mais uma vez? Sempre estás nas superfícies?
O oceano é ainda maior, muito mais profundo
É no mais escuro azul que toda água fica transparente
E quando a sua respiração te sufoca, quando teu corpo quer mais um fôlego
É aí que saberás onde mora a dor do outro
Não suponha um mundo que não conheces
São imensos os labirintos recorrentes em toda a humanidade
Tu és apenas um espelho dela, não penses que és o único ser a se perder neles
E se é para ser assim, que não o sejas. Exista!
Por que não consegues dizer não?
Toda a sua razão leva a mais sensata resposta
E queres ser sensata? Não completamente?!
Viver apenas racionalmente é viver? Sei, sabes que não,
Só não penses que continuar da forma em que vais, vais a algum lugar,
vais é se perder...
Os caminhos são imensos e eles podem engolir-te
Mas é exatamente isso que queres?
Sabes que é no se perder que vais te achar
Fuja das frases feitas, como a última agora dita.
Muitos mentem, queres também que eu não minta?
Quem tu achas que contam verdades?
Confias no que dizes, completamente? Ou és covarde?
Tenhas na mão um pincel, na cabeça uma imagem e pintarás o que quiseres, certo?
E as pessoas verão o que querem ver, certo?
Completamente errado, subestima-os.
A linha entre o que sustenta uma interpretação e do que se aproxima da realidade é perceptível quando vivenciada por muitos
Achas que isso te diz o que é real?
Viva, reflita, duvide
Quem sabe serás um dos poucos que tomam o caminho contrário.
Espaço para se discursar sobre diversos assuntos úteis ou inúteis, isso depende do ponto de vista, o que importa é o diálogo!
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
sábado, 21 de agosto de 2010
Espelhos da alma
Numa noite escura, cinza e silenciosa, em meio a angustiantes nevoeiros provocados não sei se pelo tempo ou se mesmo pelo embaçado dos meus olhos, não se era possível visualizar qualquer forma que estivesse a mais de uns cinqüenta metros de distância. No entanto, surgia caminhando em minha direção uma sombra não muito grande, esperei a aproximação inevitável, afinal, os nossos caminhos se entrecruzavam, minha tensão do momento se desfez após o desvendar do encontro, era apenas um cão que caminhava no centro do negro e brilhoso asfalto iluminado pelas poças d’água a luz da lua. Parei para ver a figura de pelos cinzas e brancos, vistosos, sua aparência era extremamente bela, bela como um idoso que parecia resguardar inúmeros passados não confessados. Mas, nunca havia visto um olhar e semblantes tão tristes, andava com a cabeça baixa como se carregasse o peso do mundo nas costas, caminhava e apenas seguia sem direção, só andava enquanto havia forças para continuar e nenhuma distração para lhe envolver. Fui esfregar meus olhos só pra não ter dúvidas de que via miragens, fantasmas, ou se não era eu mesma que criava aquela figura, no entanto só me restou o nada e minha forma agachada com o olhar fixo no chão numa daquelas poças que refletiam a lua, as estrelas e ao lado do meu rosto um cão de alma rasgada que agora estava dentro das minhas retinas. Calafrios tomaram meu corpo inteiro, despertei de um sonho, ainda à noite, com os pés frios tocando o chão do quarto, espirros como de costume, caminho entre o sono, o sonho e a realidade até o banheiro lá onde tudo se desfaz e novamente somos despertados para o nosso cotidiano, mais ou menos sem ânimo lavando o rosto, mas evito o espelho sei que há algo nos olhos que não quero que nem mesmo eu os veja. Os olhos... é lá que não conseguimos esconder nada, palavras são ótimos disfarces, mas como já dizem, mas não sei quem, olhos são espelhos da alma e os outros os decifradores dela, para isso um menifesto às cegueiras momentâneas: que se fechem os olhos, se abram os ouvidos e se acentuem os sabores das dúvidas.
sábado, 27 de março de 2010
Da brisa, de um pássaro e do livro desencapado
Ao vagar em certo lugar, ao menos isso sei, que chamavam devaneios e ao encontrar ali poucos obstáculos, dei-me conta de estar numa imensa sala de paredes ricamente adornadas com inúmeras estantes de madeira de lei repletas de livros. Ao discorrer o meu olhar pela suntuosa sala, vi de relance no canto esquerdo e no fim da última prateleira certamente algo que destoava ao organizadíssimo e harmonioso acervo. De fato a sua utilidade fôra drasticamente minimizada, no momento só servia de escora para que os outros não saíssem de seu milimétrico espaço minuciosamente pensado pelo colecionador de capas. Com certeza seu tempo ali já estava mais do que ultrapassado, bastaria que a estupefata ambição do colecionador descobrisse outra bela capa a qual se encaixasse perfeitamente com as formas, tons e cores de seu acervo para que com brevidade fosse substituído. Caso não tenha ficado claro, a coleção da qual relato é de livros e pasmada fiquei ao notar que o interesse do surreal lugar era mesmo o citado, apenas as capas pouco importava o teor das páginas. Então, após essa mínima sondagem feita aos umbrais, fui ouvir o que o tal livro desencapado tinha a relatar, pois fiquei um tanto irrequieta ao saber que a principal regra do lugar era de nunca, jamais, nem por um segundo, deixar os livros abertos para que assim suas capas pudessem ser absolutamente conservadas a fim de que nada fosse modificado. Aproximei-me de leve, ainda mais leve do que costumo ser e como quem nada quer do tal livro fui cuidadosamente escutar os sussurros sufocados os quais depois também se revelaram a mim sufocantes dado o angustiante estado no qual se encontrava e do peso de suas confissões, estava mais do que no lugar errado. Ao conversar, disse-me que já não agüentava mais estar sempre preso ao mesmo lugar e escutar sempre as mesmas ladainhas que se esvaíam em superficialidades e em julgo de aparências, ansiava em um desespero aterrador que alguém se interessasse por palavras e por significados, a ele pouco importava-lhe a capa o que mais desejava era saber o que estava por detrás dela. Sabia que já havia passado pelo mesmo que esses tantos, já valorou por demais os títulos, sub-títulos, as artes das imagens que vestia até que pelo acidental rasgo de um espelho perdeu sua roupa e viu-se despido em palavras, palavras essas que diariamente tinham o poder de o conflitar ou pacificar, o preencher ou esvaziar, podiam também aprisionar, no entanto eram as combinações e confrontações de letras, palavras, idéias e interpretações que mais tarde o guarnecia de um âmago de liberdade, mas sentia falta de poder externá-la. O que mais ansiava era que no lugar reservado a intocável coleção uma ventania revirasse tudo no lugar, levasse consigo todas aquelas capas a fim de que não só ele experimentasse o novo das novas palavras e do reboliço que as novas junções de idéias poderiam trazer a todos os outros daquele lugar tão tolhidos por suas visões direcionadas, insuficientes e instantâneas, tão ligadas a irrelevantes superficialidades. Infelizmente, senhor pássaro, sinto lhe frustrar, não sei como ficou o livro, não pude saber do desfecho desse casual encontro, pois não marquei o caminho de retorno, fui levada às pressas para as revoltas ondas e não soube como voltar. Contudo ainda espero que algum dia ainda ouça de outros ventos o que aconteceu por lá.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Parolagens
Passam os tempos escorregando pelas horas
Os dias continuam os mesmos
As pessoas continuam as mesmas
Insistência nos mesmos...
Erros? Acertos? Quem os diz que são?
E por que devem ser vistos como um ou outro?
Por que julgamos tanto?
Às vezes se é melhor não pensar em nada
Apenas contemplar as águas que saem sabe-se lá donde
Chegam sabe-se lá por quê
E não se vão
Já desisti de querer entender descaminhos
Há o que não se tenha explicação,
Mas não posso dizer que as aceito
Essas não explicações, não compreensões
Por isso persiste a dúvida
Mas o pior é o silêncio da resposta
São como chuvas em setembro.
Os dias continuam os mesmos
As pessoas continuam as mesmas
Insistência nos mesmos...
Erros? Acertos? Quem os diz que são?
E por que devem ser vistos como um ou outro?
Por que julgamos tanto?
Às vezes se é melhor não pensar em nada
Apenas contemplar as águas que saem sabe-se lá donde
Chegam sabe-se lá por quê
E não se vão
Já desisti de querer entender descaminhos
Há o que não se tenha explicação,
Mas não posso dizer que as aceito
Essas não explicações, não compreensões
Por isso persiste a dúvida
Mas o pior é o silêncio da resposta
São como chuvas em setembro.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Algumas considerações sobre o direito à comunicação (Parte I)
"A comunicação entre pessoas e seus meios na sua dimensão interpessoal e coletiva, através do uso da palavra, estruturadora da linguagem, por sua vez concretizadora do discurso, funcionou como um fio condutor para a afirmação da humanidade como um grupo de animais que sente, pensa, intercambia subjetividades, AGE E REAGE na relação com o outro e com a natureza, formando uma teia de pensamentos e aconteciemntos construída entre CONSENSOS E CONFLITOS."
Raimunda Aline Lucena Gomes.
Raimunda Aline Lucena Gomes.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Pesadelo
O que há em seus olhos que os deixam cinza, criança?
Cinzas do Mar de irrealidades
Cinzas da crença irredutível
Cinzas da não-dúvida
Cinzas do silêncio
Pra onde você está olhando agora?
Você está aqui?
Não, não está
Aliás não está em nenhum lugar... no nada
Nada e busca emergir desse turbilhão que te tem afogado
Cadê as suas forças?
O que você busca?
Você desistiu?
Pense
O mar é seu, criado por você
Aprenda que o viver é isso
Decisões e conseqüências são uma só
Reflita sempre, sempre, sempre, criança
Não temos uma segunda chance no ato
Só poderá ser feita uma escolha
E esta é irredutível
Já aconteceu? Não se pode voltar?
Cresça, criança, cresça!
Já não existem somente risos espontâneos
Já não existem choros translúcidos
Nem olhos em cores expressivas
Vamos, veja se você consegue
Emirja. Logo! Vamos! Não há tempo!
Não há tempo
Já está mais do que tarde
Já é tempo de acordar
Cinzas do Mar de irrealidades
Cinzas da crença irredutível
Cinzas da não-dúvida
Cinzas do silêncio
Pra onde você está olhando agora?
Você está aqui?
Não, não está
Aliás não está em nenhum lugar... no nada
Nada e busca emergir desse turbilhão que te tem afogado
Cadê as suas forças?
O que você busca?
Você desistiu?
Pense
O mar é seu, criado por você
Aprenda que o viver é isso
Decisões e conseqüências são uma só
Reflita sempre, sempre, sempre, criança
Não temos uma segunda chance no ato
Só poderá ser feita uma escolha
E esta é irredutível
Já aconteceu? Não se pode voltar?
Cresça, criança, cresça!
Já não existem somente risos espontâneos
Já não existem choros translúcidos
Nem olhos em cores expressivas
Vamos, veja se você consegue
Emirja. Logo! Vamos! Não há tempo!
Não há tempo
Já está mais do que tarde
Já é tempo de acordar
quinta-feira, 26 de março de 2009
Conhecendo-me
Percebi que detesto meias de palavras, meias de conversas, meias de “verdades”. São meias que muitos vestem para encobrir o que deve ser transparente, são meias deixadas ao meio por isso incompletas, já fui assim decidi que não serei mais. Não achem que de mim tudo conhecem da mesma forma não conheço todos por completo, somos imensos mais do que podemos tocar, ver, existem outros de nós que até nós desconhecemos ou fazemos questão de não conhecer. Talvez uns prefiram esconderijos, eu já não sei se isso de fato auxilia em algo, só deva frustrar, entristecer, deixar turvas as águas que os regam e que com o passar das horas deformam o rosto. Qual o problema em deixar que os pés sintam? Que sintam a terra, a pedra, o sol ao meio-dia, a sombra, a água, o refrescante e não só isso que sintam as dores dos machucados que de vez em quando por distração ou mesmo por não conseguir enxergar entre as horas mais claras acontecem. É importante que não sigamos as rotas principais sempre, não há humor, aprendizado, História se não houver desvios. Que eu ande por aclives que tanto nos custam as forças apenas para ter o privilégio de poder deleitar-se em belíssimas paisagens até cansarem os olhos ou sentir o abraçar do vento como se pudéssemos ser levados por ele sem previsão de rota ou chegada. Ou por declives constantemente enfrentados, contudo não definitivos nem ao menos demérito, se é trilhado um caminho sem retornos não veremos as mesmas paisagens sempre e nem por isso deixarão de nos presentear com memórias que nos causam distintas sensações e quando relembro dou boas risadas sabendo que não mais a percorrerei; o que importa é a existência e sim elas existiram, só não as encobrirei de auto-piedade. Se fiz é responsabilidade minha, se é comigo que acontece ou eu que provoquei assumo. Que mal há?
Assinar:
Postagens (Atom)