sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Tocando em frente ( Renato Teixeira)

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz quem sabe eu só levo a certeza
de que muito pouco eu sei
Nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pára poder sorrir
É preciso chuva para poder florir
Sinto que seguir a vida seja simplesmente
Conhecer a marcha, ir tocando em frente.
Por um velho boiadeiro levando a boiada,
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou,
Estrada eu sou.

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor para poder pulsar
É preciso paz para poder sorrir
É preciso chuva para florir
Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora, um dia a gente chega.
E no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua própria historia
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz...

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs.
É preciso amor para poder pulsar
É preciso paz para poder sorrir
É preciso chuva para florir
Sinto que seguir a vida seja simplesmente
Conhecer a marcha ir tocando em frente.
Cada um de nós compõe a sua própria historia
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Cheio, vazio, enchendo-se outra vez aos poucos

Um dia aprendo

Um dia desperto

Um dia vivo

Um dia morri

E morro buscando

Mesmo sabendo que nada mais há

Para que se encontre

Aliás nunca houve

Aí esqueço-me das horas

Desligo o despertador

Apago as letras do caderno

As velas do candelabro

Fecho os olhos

Vou para longe

Estradas indesbraváveis

Escuras

Paro

Levo algum tempo no bolso

No momento eles não correm

Dobro as palavras

O que ouvi mastigo

E transformo em um pouco de mim

O que li jogo nos meus cestos

Balaios de palavras

E as conservo

O que não falei ou não percebi

Arrependo-me

Mas os deixo a mercê da memória

No arquivo morto junto aos dados

Dados da sorte que nunca me sorri

Volto

Ando até o mar

Sento numa pedra

Sussurro os meus segredos

Faço dele meu confessionário

E com o nada segredos seguem

Para lugar nenhum

Essas minhas histórias emudecem

Sobrepõe-se o som do mar

Depois se dispersam, mas não somem

Acordo

Levanto

Desmonto

Castelos de areia não duram para sempre

Areia aos olhos incomodam

Água se passa

Olhos se abrem

Luz reaparece

Recomeço

De outra maneira

Tudo seca e se refaz

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Como os nossos pais (Elis Regina)

Não quero lhe falar meu grande amor

das coisas que aprendi nos discos

Quero lhe contar como eu vivi

e tudo que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar

eu sei que o amor é uma coisa boa

Mas também sei que qualquer canto é menor

do que a vida de qualquer pessoa

Por isso cuidado meu bem,

há perigo na esquina

Eles venceram e o sinal está fechado

prá nós que somos jovens

Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua

É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz

Você me pergunta pela minha paixão

Digo que estou encantada com uma nova invenção

Eu vou ficar nesta cidade,

não vou voltar pro sertão

Pois vejo vir vindo no vento

o cheiro da nova estação

Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração

Já faz tempo eu vi você na rua

cabelo ao vento, gente jovem reunida

Na parede da memória essa lembrança

é o quadro que dói mais

Minha dor é perceber

que apesar de termos feito tudo que fizemos

Ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais

Nossos ídolos ainda são os mesmos

e as aparências não enganam não

Você diz que depois deles

não apareceu mais ninguém

Você pode até dizer que 'eu tô por fora

ou então que eu tô inventando'

Mas é você que ama o passado e que não vê

É você que ama o passado e que não vê

Que o novo sempre vem

Hoje eu sei que quem me deu a idéia

de uma nova consciência e juventude

Tá em casa guardado por Deus

contando vil metal

Minha dor é perceber

que apesar de termos feito

tudo, tudo, tudo que fizemos

Nós ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais!

sábado, 8 de novembro de 2008

Intrigadas interrogações

Assim como tudo se expande, mas em algum momento se contrai ou contrair-se-á, assim como todos os planetas voltas dão, mas em algum momento passam pelo mesmo lugar sei que (re)visito diversas idéias carregadas do mesmo significado dado a séculos. Não sei se isso é bom ou ruim, o que é bom ou ruim? Como saber qual o certo ou o errado? Se o que é certo para mim pode ser o errado para você ou o contrário. Como atingir uma verdade plena se nunca ninguém nos revela tudo o que sabe, só conhecemos aquilo que as pessoas querem nos mostrar e nem sempre essa vitrine é verdadeira. Até mesmo essas palavras, essas que acabo de escrever, estão passíveis de outras interpretações que não sejam as que eu gostaria de transmitir depende da intenção do leitor, do que busca o leitor nessas breves palavras, nisso eu tenho que concordar. Como encontrar o sincero então, como achar os raros, aqueles que são o que são e não o que dizem ser? Eles existem? Onde se encontram? Como descobri-los?

No momento vejo que estou sem ter onde apoiar-me, a cegueira cessa, mas me encontro em caminhos de fumaça, em mar bravio, numa nau sem velas. Qual será a sinalização necessária para que encontre em meio a neblina o visível? Joguem-se cordas, cordas de conhecimento, joguem-se palavras que tentarei decifrá-las, quem sabe eles serão a saída, se é que saída existe. O quê existe? O que é de fato real nesse mundo de farsas?



Dúvidas, duvidas? Divida-as

Hermético achas? Ou não compreendes?

Nem precisa

São devaneios

Digressões que possuem contexto, mas no momento não os explico

Omito

Não importa também, o quê importa?

São tantas as prioridades

Aliás quais virão primeiro?

As prioridades das prioridades, será possível?

Tentemos uma encontrar:

Vida penso.

Que vida tenho? Qual vida aspiro?

Vida é vida oras não é preciso caracterizá-las

E nem há uma que se sobreponha a outra e possua mais significado

Pois são singulares e plurais simultaneamente

Mas é preciso escolhas

Quais as certas?

Nunca sei, nunca saberei

Quando vejo já fiz e não o contrário quando fizer verei.

O que me resta

O presente, o ato, o sujeito na voz ativa

Cansei de quimeras

Caso contrário vida não há

Farsa haverá

A certeza que tenho é da certeza que não possuo

Que não quero possuir

Que não me possui

Intrigo-me de tantos, de tantas

Mas poucos em mim ficam

E de mim se hospedam

Ou eu os quero em mim

Sim e por que não a morte?

Será a morte o fim ou o começo?

Será a morte morte ou morte a vida?

A vida começará da morte certamente e não o contrário

E se pensar um pouco normalmente é assim

Matamos nossos medos

Nossas antigas crenças iludidas

E nada será como antes

Nada mais estará imóvel

Tudo viverá

E como vivem se transformam

Crescem assim como eu

Já não sou a mesma de ontem

Certamente amanhã também já mudei


Durma, medo meu ( O Teatro Mágico)

Todo o chão se abre
No escuro, se acostuma
Às vezes a coragem é como quando a nova lua
Somos a discórdia
E o perdão
E nos esquecemos da cor que tinha o céu, assim
Como a saudade
Ou uma frase perdida
Durma, Medo Meu
Durma, Medo Meu
Hmmm, não
Às vezes um "não sei"
Janela, madrugada, luz tardia
E o medo nos acorda
Pára e bate o coração
Em pura disritmia
O medo amedronta o medo
Vela, madrugada, dia, assim
Como a saudade
Ou uma frase perdida
Durma, Medo Meu
Durma, Medo Meu

Amadurecência ( O teatro Mágico)

Senhoras e sem dores
Bem vindos ao Teatro Mágico

Parto
Parto...
A poesia prevalece
A poesia prevalece

Primeiro senso é a fuga.
Bom na veradade é o medo,
dai entao a fuga.

Evoca-se na sombra uma iquietude,
uma alteridade disfarçada
inquilina de todos nossos risos.

A juventude plena e sem planos se esvai.

O parto ocorre.
parto-me
parto-me
parto-me
parto-me

Aborto certas convicções
a bordo deminios e munias
Flagelo-me
Exponho cicatrizes

E acordo os meus com muito mais cuidado,
muito mais atenção
E a tensão que parecia nunca não passar,
o ser vil que passou para servir para disservir,
harmonizar o tom, movimento som

toda a terra que devo do ar
todo o voto que devo parir
não dever ao de vir,
nunca deixar de ouvir

com outros olhos...
com outros olhos...
com outros olhos...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Baú (Vanessa da Mata)

Sabe de uma coisa Seu
Vou lhe jogar no meu baú
Vivo e mágico
Com as coisas boas que tem lá

Os meus desenhos herméticos
As palavras de Da Lai Lama
Quem sabe você adora
Quem sabe se transformará

Meu bauzinho de memória
Os meus livrinhos de receita
Quem sabe se sensibiliza
Quem sabe se transformará

Vamos seguindo acordando cedo
Você só reclama não age
Você fica dormindo à tarde
E tudo vai dando nos nervos

Vamos seguindo acordando cedo
Você só reclama não age
Você fica dormindo à tarde
E tudo vai dando nos nervos

Não corre atrás das suas coisas
Vive aqui choramingando
Todos já foram embora
Você só sabe reclamar

A voz doce de João
Amansará sua revolta
A comida de Dona Vantina
Quem sabe se transformará

Rancoroso com raiva de tudo
Do fulano com seu carro novo
Não vê que ele trabalhou muito
Você pode se esforçar

Pois vamos seguindo acordando cedo
Você só reclama não age
Você fica dormindo à tarde
E tudo vai dando nos nervos

Vamos seguindo acordando cedo
Você só reclama não age
Você fica dormindo à tarde
E tudo vai dando nos nervos