Espaço para se discursar sobre diversos assuntos úteis ou inúteis, isso depende do ponto de vista, o que importa é o diálogo!
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Um título não importa
Cada silêncio traz a memória o que não se pode esquecer
O instante da lembrança separa o músculo involuntário que pulsa do que é coração
E continuará em paralelo, em suspenso
Precisamente, nunca haverá linguagem esta paranormal
Capaz de se comunicar sem palavras
Se se levar em relevância o ordinário
Não, mesmo que gostemos de acreditar que haja,
Ninguém lhe trará exatamente aquilo de que precisava
Ninguém é capaz de suprir as ausências de ninguém
Ninguém é capaz de ser a projeção do que você tem medo de ser
É muito fardo para um mísero ser humano
É cruel com o outro, fetichizado
É cruel com você, irracional
Quando, em que, onde estará o fio de Ariadne? Não em quem.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
O som do coração
um gostinho do filme:http://www.youtube.com/watch?v=44nN72E5JDg (link para o trailer)
sábado, 1 de janeiro de 2011
E que venha 2011
sábado, 30 de outubro de 2010
De Mar a Mar e despedidas...
Casa mais esta que a ti fez juras de solidão
Sela este brinde com ondas salgadas
Que o doce já não sente o coração
Traga consigo o canto das sereias
Ou teus monstros mais exóticos
Nosso medo tu não alteias
E não sinta de nós pena
Pusemos-nos à deriva por vontade
Mesmo não tendo a alma serena
Basta-nos tanta realidade
Entre tanta correnteza
E Durante as noites mais escuras
A lanterna estará sobre a mesa
A tinta será derramada
O pincel esquecido
A letra borrada
O Caderno preenchido
Esvazia-nos, Mar
Ao mesmo tempo em que nos preenche
Toma o que teu é
E dá-nos em retorno uma nova mente
- Au Revoir!
- Arrivederci!
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
02:28
Por mais que tu não demonstres... Sua consciência é aguçada... é?!
E sim... finja ser forte, todos no final esperam isso
Você sabe que seus ombros poderiam ficar mais leves?
Mas insistes na complexidade, insistes no que não conheces?
Tu querias descobrir os mais adoráveis e terríveis gostos que tem o incerto?
Pois é, agora o prove. Já tens todos os ingredientes?
Não. Ainda faltam mais, porque você não chora...
Tu sabes, as lágrimas não ultrapassam as bolsas que tens nos olhos
Também... são tantas noites sem dormir, elas tem bastante espaço para comportá-las.
Será isso mais uma vez? Sempre estás nas superfícies?
O oceano é ainda maior, muito mais profundo
É no mais escuro azul que toda água fica transparente
E quando a sua respiração te sufoca, quando teu corpo quer mais um fôlego
É aí que saberás onde mora a dor do outro
Não suponha um mundo que não conheces
São imensos os labirintos recorrentes em toda a humanidade
Tu és apenas um espelho dela, não penses que és o único ser a se perder neles
E se é para ser assim, que não o sejas. Exista!
Por que não consegues dizer não?
Toda a sua razão leva a mais sensata resposta
E queres ser sensata? Não completamente?!
Viver apenas racionalmente é viver? Sei, sabes que não,
Só não penses que continuar da forma em que vais, vais a algum lugar,
vais é se perder...
Os caminhos são imensos e eles podem engolir-te
Mas é exatamente isso que queres?
Sabes que é no se perder que vais te achar
Fuja das frases feitas, como a última agora dita.
Muitos mentem, queres também que eu não minta?
Quem tu achas que contam verdades?
Confias no que dizes, completamente? Ou és covarde?
Tenhas na mão um pincel, na cabeça uma imagem e pintarás o que quiseres, certo?
E as pessoas verão o que querem ver, certo?
Completamente errado, subestima-os.
A linha entre o que sustenta uma interpretação e do que se aproxima da realidade é perceptível quando vivenciada por muitos
Achas que isso te diz o que é real?
Viva, reflita, duvide
Quem sabe serás um dos poucos que tomam o caminho contrário.
sábado, 21 de agosto de 2010
Espelhos da alma
sábado, 27 de março de 2010
Da brisa, de um pássaro e do livro desencapado
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Parolagens
Os dias continuam os mesmos
As pessoas continuam as mesmas
Insistência nos mesmos...
Erros? Acertos? Quem os diz que são?
E por que devem ser vistos como um ou outro?
Por que julgamos tanto?
Às vezes se é melhor não pensar em nada
Apenas contemplar as águas que saem sabe-se lá donde
Chegam sabe-se lá por quê
E não se vão
Já desisti de querer entender descaminhos
Há o que não se tenha explicação,
Mas não posso dizer que as aceito
Essas não explicações, não compreensões
Por isso persiste a dúvida
Mas o pior é o silêncio da resposta
São como chuvas em setembro.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Algumas considerações sobre o direito à comunicação (Parte I)
Raimunda Aline Lucena Gomes.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Pesadelo
Cinzas do Mar de irrealidades
Cinzas da crença irredutível
Cinzas da não-dúvida
Cinzas do silêncio
Pra onde você está olhando agora?
Você está aqui?
Não, não está
Aliás não está em nenhum lugar... no nada
Nada e busca emergir desse turbilhão que te tem afogado
Cadê as suas forças?
O que você busca?
Você desistiu?
Pense
O mar é seu, criado por você
Aprenda que o viver é isso
Decisões e conseqüências são uma só
Reflita sempre, sempre, sempre, criança
Não temos uma segunda chance no ato
Só poderá ser feita uma escolha
E esta é irredutível
Já aconteceu? Não se pode voltar?
Cresça, criança, cresça!
Já não existem somente risos espontâneos
Já não existem choros translúcidos
Nem olhos em cores expressivas
Vamos, veja se você consegue
Emirja. Logo! Vamos! Não há tempo!
Não há tempo
Já está mais do que tarde
Já é tempo de acordar
quinta-feira, 26 de março de 2009
Conhecendo-me
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Parolagem da Vida - Carlos Drummond de Andrade

Como a vida muda.
Como a vida é muda.
Como a vida é nula.
Como a vida é nada.
Como a vida é tudo.
Tudo que se perde
mesmo sem ter ganho.
Como a vida é senha
de outra vida nova
que envelhece antes
de romper o novo.
Como a vida é outra
sempre outra, outra
não a que é vivida.
Como a vida é vida
ainda quando morte
esculpida em vida.
Como a vida é forte
em suas algemas.
Como dói a vida
quando tira a veste
de prata celeste.
Como a vida é isto
misturado àquilo.
Como a vida é bela
sendo uma pantera
de garra quebrada.
Como a vida é louca
estúpida, mouca
e no entanto chama
a torrar-se em chama.
Como a vida chora
de saber que é vida
e nunca nunca nunca
leva a sério o homem,
esse lobisomem.
Como a vida ri
a cada manhã
de seu próprio absurdo
e a cada momento
dá de novo a todos
uma prenda estranha.
Como a vida joga
de paz e de guerra
povoando a terra
de leis e fantasmas.
Como a vida toca
seu gasto realejo
fazendo da valsa
um puro Vivaldi.
Como a vida vale
mais que a própria vida
sempre renascida
em flor e formiga
em seixo rolado
peito desolado
coração amante.
E como se salva
a uma só palavra
escrita no sangue
desde o nascimento:
amor, vidamor!
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Nosso Tempo Carlos: Drummond de Andrade
I
Este é tempo de partido,
tempo de homens partidos.
Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra.
Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimo, nenhum beijo
sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.
Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.
II
Este é tempo de divisas,
tempo de gente cortada.
De mãos viajando sem braços,
obscenos gestos avulsos.
Mudou-se a rua da infância.
E o vestido vermelho
Vermelho
cobre a nudez do amor,
ao relento, no vale.
Símbolos obscuros se multiplicam.
Guerra, verdade, flores?
Dos laboratórios platônicos mobilizados
vem um sopro que cresta as faces
e dissipa, na praia, as palavras.
A escuridão estende-se mas não elimina
o sucedâneo da estrela nas mãos.
Certas partes de nós como brilham! São unhas,
anéis, pérolas, cigarros, lanternas,
são partes mais íntimas,
a pulsação, o ofego,
e o ar da noite é o estritamente necessário
para continuar, e continuamos.
III
E continuamos. É tempo de muletas.
Tempo de mortos faladores
e velhas paralíticas, nostálgicas de bailado,
mas ainda é tempo de viver e contar.
Certas histórias não se perderam.
Conheço bem esta casa,
pela direita entra-se, pela esquerda sobe-se,
a sala grande conduz a quartos terríveis,
como o do enterro que não foi feito, do corpo esquecido na mesa,
conduz à copa de frutas ácidas,
ao claro jardim central, à água
que goteja e segreda
o incesto, a bênção, a partida,
conduz às celas fechadas, que contêm:
papéis?
crimes?
moedas?
o conta, velha preta, ó jornalista, poeta, pequeno historiador urbano,
ó surdo-mudo, depositário de meus desfalecimentos, abre-te e conta,
moça presa na memória, velho aleijado, baratas dos arquivos, portas rangentes, solidão e asco,
pessoas e coisas enigmáticas, contai,
capa de poeira dos pianos desmantelados, contai;
velhos selos do imperador, aparelhos de porcelana partidos, contai;
ossos na rua, fragmentos de jornal, colchetes no chão da costureira, luto no braço, pombas, cães errântes, animais caçados, contai.
Tudo tão difícil depois que vos calastes...
E muitos de vós nunca se abriram.
IV
É tempo de meio silêncio,
de boca gelada e murmúrio,
palavra indireta, aviso
na esquina. Tempo de cinco sentidos
num só. O espião janta conosco.
É tempo de cortinas pardas,
de céu neutro, política
na maçã, no santo, no gozo,
amor e desamor, cólera
branda, gim com água tônica,
olhos pintados,
dentes de vidro,
grotesca língua torcida.
A isso chamamos: balanço.
No beco,
apenas um muro,
sobre ele a polícia.
No céu da propaganda
aves anunciam
a glória.
No quarto,
irrisão e três colarinhos sujos.
V
Escuta a hora formidável do almoço
na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.
As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas vitaminosas.
Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!
Os subterrâneos da tome choram caldo de sopa,
olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu osso.
Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é tempo de comida,
mais tarde será o de amor.
Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios, forma indecisa, evoluem.
O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.
Multidões que o cruzam não vêem. É sem cor e sem cheiro.
Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,
vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,
toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.
Escuta a hora espandongada da volta.
Homem depois de homem, mulher, criança, homem,
roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa,
homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homem
imaginam esperar qualquer coisa,
e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-se,
últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa,
já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade, imaginam.
Escuta a pequena hora noturna de compensação, leituras, apelo ao cassino, passeio na praia,
o corpo ao lado do corpo, afinal distendido,
com as calças despido o incômodo pensamento de escravo,
escuta o corpo ranger, enlaçar, refluir,
errar em objetos remotos e, sob eles soterrado sem dor,
confiar-se ao que-bem-me-importa
do sono.
Escuta o horrível emprego do dia
em todos os países de fala humana,
a falsificação das palavras pingando nos jornais,
o mundo irreal dos cartórios onde a propriedade é um bolo com flores,
os bancos triturando suavemente o pescoço do açúcar,
a constelação das formigas e usurários,
a má poesia, o mau romance,
os frágeis que se entregam à proteção do basilisco,
o homem feio, de mortal feiúra,
passeando de bote
num sinistro crepúsculo de sábado.
VI
Nos porões da família,
orquídeas e opções
de compra e desquite.
A gravidez elétrica
já não traz delíquios.
Crianças alérgicas
trocam-se; reformam-se.
Há uma implacável
guerra às baratas.
Contam-se histórias
por correspondência.
A mesa reúne
um copo, uma faca,
e a cama devora
tua solidão.
Salva-se a honra
e a herança do gado.
VII
Ou não se salva, e é o mesmo. Há soluções, há bálsamos
para cada hora e dor. Há fortes bálsamos,
dores de classe, de sangrenta fúria
e plácido rosto. E há. mínimos
bálsamos, recalcadas dores ignóbeis,
lesões que nenhum governo autoriza,
não obstante doem,
melancolias insubornáveis,
ira, reprovação, desgosto
desse chapéu velho, da rua lodosa, do Estado.
Há o pranto no teatro,
no palco? no público? nas poltronas?
há sobretudo o pranto no teatro,
já tarde, já confuso,
ele embacia as luzes, se engolfa no linóleo,
vai minar nos armazéns, nos becos coloniais onde passeiam ratos noturnos,
vai molhar, na roça madura, o milho ondulante,
e secar ao sol, em poça amarga.
E dentro do pranto minha face trocista,
meu olho que ri e despreza,
minha repugnância total por vosso lirismo deteriorado,
que polui a essência mesma dos diamantes.
VIII
O poeta
declina de toda responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas
promete ajudar
a destruí-lo
como uma pedreira, uma floresta,
um verme.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Saiba ( Arnaldo Antunes)
Saiba: todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão também
Hitler, Bush e Sadam Hussein
Quem tem grana e quem não tem
Saiba: todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
e também você e eu
Saiba: todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar
Saiba: todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano
Saiba: todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao Tsé Moisés Ramsés Pelé
Ghandi, Mike Tyson, Salomé
Saiba: todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
e também eu e você
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Tocando em frente ( Renato Teixeira)
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz quem sabe eu só levo a certeza
de que muito pouco eu sei
Nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pára poder sorrir
É preciso chuva para poder florir
Sinto que seguir a vida seja simplesmente
Conhecer a marcha, ir tocando em frente.
Por um velho boiadeiro levando a boiada,
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou,
Estrada eu sou.
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor para poder pulsar
É preciso paz para poder sorrir
É preciso chuva para florir
Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora, um dia a gente chega.
E no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua própria historia
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz...
Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs.
É preciso amor para poder pulsar
É preciso paz para poder sorrir
É preciso chuva para florir
Sinto que seguir a vida seja simplesmente
Conhecer a marcha ir tocando em frente.
Cada um de nós compõe a sua própria historia
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Cheio, vazio, enchendo-se outra vez aos poucos
Um dia aprendo
Um dia desperto
Um dia vivo
Um dia morri
E morro buscando
Mesmo sabendo que nada mais há
Para que se encontre
Aliás nunca houve
Aí esqueço-me das horas
Desligo o despertador
Apago as letras do caderno
As velas do candelabro
Fecho os olhos
Vou para longe
Estradas indesbraváveis
Escuras
Paro
Levo algum tempo no bolso
No momento eles não correm
Dobro as palavras
O que ouvi mastigo
E transformo em um pouco de mim
O que li jogo nos meus cestos
Balaios de palavras
E as conservo
O que não falei ou não percebi
Arrependo-me
Mas os deixo a mercê da memória
No arquivo morto junto aos dados
Dados da sorte que nunca me sorri
Volto
Ando até o mar
Sento numa pedra
Sussurro os meus segredos
Faço dele meu confessionário
E com o nada segredos seguem
Para lugar nenhum
Essas minhas histórias emudecem
Sobrepõe-se o som do mar
Depois se dispersam, mas não somem
Acordo
Levanto
Desmonto
Castelos de areia não duram para sempreAreia aos olhos incomodam
Água se passa
Olhos se abrem
Luz reaparece
Recomeço
De outra maneira
Tudo seca e se refaz
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Como os nossos pais (Elis Regina)
Não quero lhe falar meu grande amor
das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
e tudo que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto é menor
do que a vida de qualquer pessoa
Por isso cuidado meu bem,
há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal está fechado
prá nós que somos jovens
Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz
Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantada com uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade,
não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
o cheiro da nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração
Já faz tempo eu vi você na rua
cabelo ao vento, gente jovem reunida
Na parede da memória essa lembrança
é o quadro que dói mais
Minha dor é perceber
que apesar de termos feito tudo que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais
Nossos ídolos ainda são os mesmos
e as aparências não enganam não
Você diz que depois deles
não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que 'eu tô por fora
ou então que eu tô inventando'
Mas é você que ama o passado e que não vê
É você que ama o passado e que não vê
Que o novo sempre vem
Hoje eu sei que quem me deu a idéia
de uma nova consciência e juventude
Tá em casa guardado por Deus
contando vil metal
Minha dor é perceber
que apesar de termos feito
tudo, tudo, tudo que fizemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais!
sábado, 8 de novembro de 2008
Intrigadas interrogações
Assim como tudo se expande, mas em algum momento se contrai ou contrair-se-á, assim como todos os planetas voltas dão, mas em algum momento passam pelo mesmo lugar sei que (re)visito diversas idéias carregadas do mesmo significado dado a séculos. Não sei se isso é bom ou ruim, o que é bom ou ruim? Como saber qual o certo ou o errado? Se o que é certo para mim pode ser o errado para você ou o contrário. Como atingir uma verdade plena se nunca ninguém nos revela tudo o que sabe, só conhecemos aquilo que as pessoas querem nos mostrar e nem sempre essa vitrine é verdadeira. Até mesmo essas palavras, essas que acabo de escrever, estão passíveis de outras interpretações que não sejam as que eu gostaria de transmitir depende da intenção do leitor, do que busca o leitor nessas breves palavras, nisso eu tenho que concordar. Como encontrar o sincero então, como achar os raros, aqueles que são o que são e não o que dizem ser? Eles existem? Onde se encontram? Como descobri-los?
No momento vejo que estou sem ter onde apoiar-me, a cegueira cessa, mas me encontro em caminhos de fumaça, em mar bravio, numa nau sem velas. Qual será a sinalização necessária para que encontre em meio a neblina o visível? Joguem-se cordas, cordas de conhecimento, joguem-se palavras que tentarei decifrá-las, quem sabe eles serão a saída, se é que saída existe. O quê existe? O que é de fato real nesse mundo de farsas?
Dúvidas, duvidas? Divida-as
Hermético achas? Ou não compreendes?
Nem precisa
São devaneios
Digressões que possuem contexto, mas no momento não os explico
Omito
Não importa também, o quê importa?
São tantas as prioridades
Aliás quais virão primeiro?
As prioridades das prioridades, será possível?
Tentemos uma encontrar:
Vida penso.
Que vida tenho? Qual vida aspiro?
Vida é vida oras não é preciso caracterizá-las
E nem há uma que se sobreponha a outra e possua mais significado
Pois são singulares e plurais simultaneamente
Mas é preciso escolhas
Quais as certas?
Nunca sei, nunca saberei
Quando vejo já fiz e não o contrário quando fizer verei.
O que me resta
O presente, o ato, o sujeito na voz ativa
Cansei de quimeras
Caso contrário vida não há
Farsa haverá
A certeza que tenho é da certeza que não possuo
Que não quero possuir
Que não me possui
Intrigo-me de tantos, de tantas
Mas poucos em mim ficam
E de mim se hospedam
Ou eu os quero em mim
Sim e por que não a morte?
Será a morte o fim ou o começo?
Será a morte morte ou morte a vida?
A vida começará da morte certamente e não o contrário
E se pensar um pouco normalmente é assim
Matamos nossos medos
Nossas antigas crenças iludidas
E nada será como antes
Nada mais estará imóvel
Tudo viverá
E como vivem se transformam
Crescem assim como eu
Já não sou a mesma de ontem
Certamente amanhã também já mudei
Durma, medo meu ( O Teatro Mágico)
Todo o chão se abre
No escuro, se acostuma
Às vezes a coragem é como quando a nova lua
Somos a discórdia
E o perdão
E nos esquecemos da cor que tinha o céu, assim
Como a saudade
Ou uma frase perdida
Durma, Medo Meu
Durma, Medo Meu
Hmmm, não
Às vezes um "não sei"
Janela, madrugada, luz tardia
E o medo nos acorda
Pára e bate o coração
Em pura disritmia
O medo amedronta o medo
Vela, madrugada, dia, assim
Como a saudade
Ou uma frase perdida
Durma, Medo Meu
Durma, Medo Meu
Amadurecência ( O teatro Mágico)
Bem vindos ao Teatro Mágico
Parto
Parto...
A poesia prevalece
A poesia prevalece
Primeiro senso é a fuga.
Bom na veradade é o medo,
dai entao a fuga.
Evoca-se na sombra uma iquietude,
uma alteridade disfarçada
inquilina de todos nossos risos.
A juventude plena e sem planos se esvai.
O parto ocorre.
parto-me
parto-me
parto-me
parto-me
Aborto certas convicções
a bordo deminios e munias
Flagelo-me
Exponho cicatrizes
E acordo os meus com muito mais cuidado,
muito mais atenção
E a tensão que parecia nunca não passar,
o ser vil que passou para servir para disservir,
harmonizar o tom, movimento som
toda a terra que devo do ar
todo o voto que devo parir
não dever ao de vir,
nunca deixar de ouvir
com outros olhos...
com outros olhos...
com outros olhos...